Por Fábio Vanzo

Pioneiro do death/doom metal como o conhecemos hoje (da mesma safra de Anathema, Amorphis, Paradise Lost e Therion), o My Dying Bride lança discos regularmente, ainda que sem o mesmo impacto de quando trocou o death mais simples de As The Flower Whiters para o doom mais melódico de Turn Loose The Swans. Sem falar que o experimentalismo de 34.788%…Complete e a relativa falta de peso dos três discos seguintes denunciavam um possível esgotamento do gênero. A solução encontrada? Retomar um pouco do ”metal” das antigas e adicionar ainda mais tristeza.
Desde a primeira faixa, My Body, A Funeral, não há senão pesar, dor e morbidez. Enquanto a cozinha dá o tom marcial e pesado, as guitarras dão peso e melodia às canções, o vocalista Aaron Stainthorpe puxa o ouvinte para o abismo das emoções mais fúnebres e o característico violino corta qualquer coração que estiver batendo por perto.
Enquanto Fall With Me carrega nas guitarras dobradas com afinações mais graves, ou ouvinte se lembra de que não há esperança ou redenção no mundo do MDB. A síntese está na faixa-título: “With glory and blazing eyes / I rise into bloody skies / Myself a storm, ravaging / The wrath of God, down I bring”.
O destaque fica para para as belíssimas Fall With Me e Echoes From A Hollow Soul, que poderiam perfeitamente estar em Like Gods Of The Sun. Entre elas, a levada mais gothic metal de Bring Me Victory, que, se não é brilhante, mostra variação musical e mantém o pique.
Shadowhaunt é lenta até para uma música deles, e talvez seja o momento mais “difícil” do álbum, e Sanctuario De Sangue também não traz nada demais, é apenas uma música de bom gosto.
Ainda bem que, quando você acha que o disco vai ficar monótono, vem A Chapter Of Loathing com uma agradável surpresa: um furioso início death metal, como nos velhos tempos, seguida por uma levada meio black metal (isso mesmo!), para então retornar ao death das antigas e depois ao death do início É a única faixa sem vocais limpos.
O disco termina brilhantemente com a épica Death Triumphant e seus mais de 11min de peso e melancolia, porém com uma eventual pegada de heavy-thrash à Metallica (bem de leve).
O resultado é o primeiro grande algum do ano, com uma grande banda tentando, mais uma vez, se reinventar. O Anathema que se cuide.

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