Por Jaqueline Santana

Intercâmbio Brasil-Cuba. Foi com esse propósito que saí de casa tempos atrás com um amigo para assistir ao show de Marina de la Riva. Com apenas duas músicas da cantora em meu repertório: “Ta-hi! (Pra Você Gostar de Mim)” – regravação do clássico de Carmem Miranda – e “Ojos Malignos” (com participação especial de Chico Buarque), segui em direção ao SESC Ipiranga sem saber bem o que esperar.

Convidada para participar do projeto Auditório MPB, comandado pela jornalista Roseli Tardelli, Marina seria entrevistada e, em seguida, teria o palco livre para seu principal papel na noite: o de cantora.

Durante a entrevista, as surpresas comuns de quando se assiste a algo tão de perto. É bom ver alguém se revelar diante de nós.  Pai cubano, mãe brasileira, advogada. Marina foi transparecendo diante de quase 200 pessoas. As histórias, os detalhes, as influências, as recordações, a bagagem, as memórias, os trejeitos, a expressão, tudo. Tudo a revelava.

Marina de la Riva

Foto: Divulgação

O primeiro e único álbum da carreira lhe rendeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), na categoria revelação feminina, e uma indicação ao prêmio Tim de Música.

Marina já participou de shows com a Orquestra Imperial, Andreas Kisser, Davi Moraes, Michael Franti (no Festival Power to the Peaceful), Nina Becker, Flávio Venturini (show “Conexão Latina”) e com Clara Moreno e Maria Rita (no Baile de Gala da Vogue, em 2008).

Casa cheia, talento a prova. Muda o figurino, apagam-se as luzes. Agora ela é outra. É Marina-cantora. Intensa. Vestido longo em preto e branco. Flor no cabelo. Luz vermelha. Músicos a postos. Entrega, ligação.

O set list passa por músicas em espanhol e em português (maioria em espanhol, claro). Samba, com ”Sonho Meu”, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho. Forró, com “Adeus, Maria Fulo”, de Humberto Teixeira e Sivuca, onde misturou um trecho em espanhol de “La Mulata Chancletera” e convida todo mundo a dançar. E “Drume Negrita”, uma canção de ninar cubana que interpretou para o filho sentado na primeira fila da platéia.

Com uma banda formada por músicos brasileiros e cubanos, ela explica entre uma música e outra o porquê de cada um estar ali. A importância, o significado, o conjunto da obra.

“Juramento” ficou impressa na memória. Letra e música. Algumas músicas marcam desde a primeira audição. Seria capaz de dizer que essa é uma delas. “Tin Tin Deo” e “Te Amaré y Después” são dois opostos que traduzem as faces da cantora.

Ver Marina faz o ar ficar diferente. Poucos são os shows que conseguem modificar o clima do ambiente. Marina nos apresenta Cuba, canção a canção. Somos o público, ela, a banda e um cabaré cubano, distantes de tudo.

E se valeu arriscar uma noite de terça-feira por curiosidade?
Em uma palavra:
Surpreendente!

Marina de la Riva:
www.marinadelariva.com.br
www.myspace.com/marinadelariva
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