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Por Fábio Vanzo

Ridley Scott é sinônimo de qualidade. Um Bom Ano, Falcão Negro Em Perigo, Gladiador, O Gângster, Chuva Negra, Alien, Os Duelistas, Chuva Negra… não preciso dar mais exemplos de clássicos dirigidos por esse inglês que iniciou no cinema já consagrado no ramo da propaganda. Tendo como único senão o azar de ter um nada talentoso irmão, Tony Scott, que se aventura a fazer filmes invariavelmente ruins. Mas vamos a Rede De Mentiras: dirigido e produzido por Ridley, com roteiro de Monahan, baseado em livro de David Ignatius, filme conta os esforços de Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) para desmantelar uma célula terrorista da Al Qaeda no Oriente Médio. Enquanto isso, é assessorado, dos EUA, por Ed Hoffman (Russell Crowe). Esse confronto entre os dois personagens lembra um pouco o dilema moral d’O Gângster: ambos fazem serviços sujos, porém um tem dilemas morais, e outro não. No caso Roger Ferris se envolve emocionalmente porque está lá no campo de guerrilha, vê as mortes, mata pessoas. Já Roger Ferris controla todas as ações de espionagem da sua casa, confortavelmente. DiCaprio está ótimo como o atormentado agente que, se não é tão torpe quando seu colega de trabalho, também usa pessoas inocentes mais de uma vez, de forma inconseqüente, enquanto Russell Crowe, totalmente à vontade como o escroto, bonachão e inescrupuloso agente. Os ambientes áridos do Oriente Médio são relatados de forma crua, qual a África no injustamente criticado Falcão Negro Em Perigo, sem maiores juízos de valor, assim como o roteiro traz diversas alfinetadas no modo ineficiente como a CIA trata a questão do terrorismo: enquanto o Ocidente não entender o Oriente, e insistir em tratar questões complexas de forma truculenta, o caminho estará aberto para líderes fanáticos como o vilão Al-Saleem (Alon Abutbul). Perfeito equilíbrio entre a ação e a reflexão (esta sempre implícita, sem didatismo). Mais uma vez, Ridley Scott mostrando como se faz.