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por Raphael Prado

Criada pelo autor belga Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, “As Aventuras De Tintin” mostram um jovem jornalista que corre o mundo [em lugares reais e outros fictícios] na busca da verdade e da justiça sempre acompanhado do seu fiel companheiro o cachorro terrier Milu, e de se seus amigos Capitão Archibald Haddock [com mil raios e trovões!] e do Professor Trifólio Girassol [que tem um pequeno problema de audição] tendo também participações de personagens secundários como os detetives Dupond e Dupont.

Os amigos que ajudam Tintin nos mais diversos casos pelo mundo são o Nestor, o mordomo do castelo de Moulinsart [onde moram o Capitão Haddock e o Professor Girassol]; Bianca Castafiore, uma cantora de ópera, conhecida como o Rouxinol Milanês; General Alcazar, um ditador sul-americano; Mohammed Ben Kalish Ezab, um emir, e seu filho Abdallah; Serafim Lampião, um vendedor de seguros; Oliveira da Figueira, vendedor de especiarias; Tchang Chong-Chen, um menino chinês, contra os malfeitores Doutor J.W. Müller, um médico alemão; Roberto Rastapopoulos cineasta e contrabandista também conhecido por Marques Di Gorgonzola; Coronel Sponsz do exército da Borduria [país fictício], General Tapioca ditador em San Teodoros [país fictício]; Allan Thompson imediato do navio do Capitão Haddock que se revelou um traidor ao trabalhar para Rastapopoulos.

Box com as 3 temporadas

Box com as 3 temporadas

A série em quadrinhos Tintin já vendeu mais de 200 milhões de cópias no mundo e foi traduzida para 60 idiomas, se tornando assim um dos maiores clássicos da animação mundial. Steven Spielberg levará Tintin para o cinema em 2010. E para a alegria dos fãs de Tintin o ano de 2008 viu o lançamento do box set “As Aventuras De Tintin” contendo as 3 temporadas com 39 episódios baseados em 21 livros do personagem dividos em 9 DVDs, digitalizados e remasterizados com base na serie de tv produzida pela Ellipse Programmé e pela Nelvana em 1991, e que aqui no Brasil foi exibido pela tv cultura na segunda metade dos anos 90.

Segue abaixo a lista dos episódios das 3 temporadas

Primeira Temporada
O Caranguejo das Tenazes de Ouro [partes 1 e 2]
O Segredo do Licorne [partes 1 e 2]
O Tesouro de Rackham o Terrível
Os Charutos do Faraó [partes 1 e 2]
O Lótus Azul [partes 1 e 2]
A Ilha Negra [partes 1 e 2]
O Caso Girassol [partes 1 e 2]

Menu da primeira temporada

Menu da primeira temporada

Segunda Temporada
A Estrela Misteriosa
O Ídolo Roubado [partes 1 e 2]
O Cetro de Ottokar [partes 1 e 2]
Tintin no Tibet [partes 1 e 2]
Tintin e os Tímpanos [partes 1 e 2]
Tintin no País do Ouro Negro [partes 1 e 2]
Vôo 714 para Sydney [partes 1 e 2]

Terceira Temporada
Perdidos no Mar [partes 1 e 2]
As Sete Bolas de Cristal [partes 1 e 2]
O Templo do Sol [partes 1 e 2]
As Jóias de Castafiore [partes 1 e 2]
Objetivo Lua [partes 1 e 2]
Explorando a Lua [partes 1 e 2]
Tintin na América
Ficha técnica do box set

Ano de Lançamento: 2008
Gênero: Animação
Produção: Nelvana
Estúdio: Log On/Culturamarcas
Áudio: Português / Inglês
Legenda: Português
Duração: 897 minutos
Volumes: 9 DVDs

por Roberta Lopes

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Depois de 14 anos ele chegou às lojas. Depois de 14 anos está no meu CD Player. A banda que sempre figurou entre as minhas 3 preferidas resolveu voltar e mais uma vez me surpreender.  O Chinese Democracy é todo realmente feito com muito cuidado, do encarte belíssimo as músicas cuidadosamente executadas.

Minhas impressões seguem num faixa a faixa. Depois de 14 anos é o mínimo e o máximo que sou capaz de fazer. Ainda não acredito muito bem que ele é real.

Chinese Democracy:  Faixa título sempre parece ter um peso maior, a responsabilidade maior. A primeira a ser lançada também no myspace da banda. Já ouvi tanto que nem pareceu inédita.  Mas é boa, uma das melhores na minha opinião. Uma das que mais parece Guns n’ Roses. Voz rouca e grave de Axl Rose e um rock pesado. Seria facilmente incluída em qualquer outro álbum da banda. Nem parece que foi feita depois de tanto tempo.

Shackler’s Revenge: Ao ouvir essa música a diferença do som do Guns de outrora com essa banda do Chinese Democracy começa a surgir. Uma levada mais metal com 50 mil corridas de guitarra invadem as caixinhas de som. A voz característica é o que nos faz lembrar a quem estamos ouvindo.

Better: Mais uma das já conhecidas. Tanto de estúdio, lançada pouco depois da faixa título, quanto da apresentação no Rock in Rio 3 em 2001. A preferida do disco pra mim, a mais característica de todas. Melódica, ritmada e com o vocal perfeitamente sincronizado e praticamente igual ao da época áurea da banda.

Street of dreams: Também tocada no Rock in Rio 3 com outro nome, acredito que “The Blues”. É bonita; piano e guitarra no começo já anunciam isso. Tem cara de single, de clipe, de wannabe” Don’t Cry. Devo dizer que se os solos fossem do Slash seria mais bonita ainda!

If the world: Se não estivesse no Chinese eu nunca diria que é do Guns até o vocal começar. Aliás na primeira ouvida achei que se tratasse de alguma pegadinha. Sabe música de “fuck time”? Luis Miguel? Julio Iglesias? Pois é, o começo é bem parecido. Brega!

There was a time: Diferente também do usual da banda, ou do que restou dela, ou do que foi um dia. Mas é boa, tem uma levadinha ritmada no início que marca todo o resto da canção. A voz é praticamente uma narração apenas cantada no refrão. Outra das preferidas.
 
Catcher in the rye: A mais forte e ao mesmo tempo a mais singela do disco. Um ar melancólico na voz e na melodia. Será que tem a ver com o livro? (Apanhador no campo de centeio – J.D. Salinger). Queria taaaanto uma entrevista decente com o Axl sobre tudo. Se alguém responsável pela assessoria dele estiver por aí eu me candidato ok??

Scraped: Isso era pra ser Guns mesmo??? Desculpem mas pra mim é um remix de um DJ inútil que estraga as músicas boas. É new metal mal feito com gritos que me dão dor de cabeça.

Riad n’ the bedouins: Não sei se é ruim, mas sei lá, podia ser de outra banda qualquer. E os gritos excessivos do Axl também me dão dor de cabeça nela. Seria dispensável, pelo menos no Chinese.

Sorry: Introspectiva. Mais uma bem melancólica. “I’m sorry for you. Not sorry for me. You don’t know who you can trust now or you should believe”, Axl canta no refrão com voz de cachorro que caiu da mudança. Definitivamente dá pra desculpar qualquer coisa.

I.R.S: Outra que poderia estar em qualquer disco da banda. Boa mas sem grande destaque. Bem executada e cantada com certo ar de indignação típico de 70% das músicas do Guns.

Madagascar: Outra apresentada no Rock in Rio de quase 8 anos atrás. Balada típica com adição de orquestra. November Rain revisited? Mais forte acho.

This I love: Lentíssima, muito piano e muita guitarra. Tanta guitarra, tanto solo que parece ser uma prova de que não precisam do Slash. Eu continuo na dúvida. Mas Robin Finck, o “mister Sossego” mostra que é bom no que faz.

Prostitute: Das corretas, bem feitas e não muito surpreendentes. Fecha o disco com jeito de despedida, mas não do álbum. Posso estar errada mas acho que a idéia dos 14 anos não foi para a banda voltar e sim pra acabar de vez, com um adeus muito bem dado.

Balanço Final?

É bom, mas óbvio que não ameniza os 14 anos de espera. Nada amenizaria. Aconselho que você nem se quer chegue a discutir esse quesito, chegaria a ser tão covarde quanto fazer os fãs esperarem tanto.

Exatamente pela palhaçada da enrolação que é bom. Esperava que musicalmente fosse ser tão risível quanto a espera, mas não é. A tal mania de perfeição de Axl Rose parece ter surtido efeito.

Chinese Democracy é um disco bom para os fãs de Guns n’ Roses. Mas com certeza não será ele que você vai mostrar pra alguém que não conhece a banda. Não chega aos pés da originalidade de um Apettite for Destruction ou da capacidade para hits dos Use your Illusion, mas é sim um disco muito bem feito.

Escutem e tirem suas próprias impressões: http://www.myspace.com/gunsnroses

Por Fábio Vanzo

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“O pessoal costuma dizer que o pessoal do Clube Da Esquina foram os Beatles brasileiros, mas eu costumo dizer que eles foram os primeiros punks. Olha só: eles tocavam de costas pro público, eram avessos ao jet-set e experimentaram mais estados alterados da consciência do que o próprio Timothy Leary.” (Samuel Rosa)

Essas palavras definem bem o clima descontraído do show Lô Borges Convida Samuel Rosa, parte da Mostra Contemporânea de Arte Mineira (18 a 23 de novembro), realizada no Sesc Pompéia.

Na primeira parte do show, Lô seguiu seu hábito dos últimos anos, de fazer o setlist com uma maioria de músicas recentes (dois últimos discos), de sonoridade mais pop-rock – sem dúvida fruto da amizade com Samuel – o que, sem dúvida, é uma atitude corajosa e artisticamente relevante.

Após mais ou menos uma hora de show, com canções mais novas e alguns clássicos, Samuel Rosa veio ao palco, quando, em clima de bastante descontração, foram tocadas canções do Skank, como Te Ver (início da relação entre os dois, quando Lô gravou-a em seu disco Meu Filme, de 1996), parcerias Salomão-Samuel (Dois Rios e Resposta), uma canção 100% Skank (Vou Deixar, tocada só por Samuel, enquanto Lô avisava que ia “tomar uma água mais forte no camarim”) e clássicos como Clube Da Esquina Nº2 (sabe-se lá porque, tocada duas vezes), Paisagem Da Janela, O Trem Azul e Para Lennon & McCartney (com a inesperada, ainda que dispensável, participação de Rogério Flausino, do Jota Quest). Uma noite bastante agradável, mesmo que imperfeita.

Mas os fatores “extracampo” acabaram ofuscando o evento. Se eu já achava estranha a idéia de uma “mostra mineira” em São Paulo, mas achava que o show ia ser legal (e foi) e que o Sesc tinha direito de fazer o que quisesse com seu dinheiro. Infelizmente encontrei isto dias depois:

“A mostra obteve o apoio da Lei Rouanet, que aprovou a captação de R$ 800 mil, valor integralmente patrocinado pela Fiat, sob apoio do Sesc..”

Que dizer que eu paguei três vezes o show? Uma contribuindo pro Sesc, uma pagando o ingresso e uma com meus impostos repassados a Fiat?

Isso muda tudo. Como disse Maurício Stycer:

“É preciso realizar um evento deste tamanho, ao custo de R$ 800 mil, com apoio da Lei Rouanet, para ouvir o vocalista do Skank? Lô Borges e Samuel Rosa são “músicos mineiros”? O que é isso? Faz sentido falar em “arte mineira” no mundo de hoje? As manifestações culturais (música, teatro, cinema, artes visuais) de artistas que vivem em Minas são diferentes daquelas realizadas por artistas que vivem no Rio Grande do Sul, no Ceará ou em São Paulo? Antes disso: existe algo em comum aos chamados “artistas mineiros”? O que seria a “arte paulista”? Ou a “arte carioca”?”

E uma das três organizadoras, a Débora Falabella, ainda empregou o marido Chuck e mais um membro da família Hipólito (provavelmente o cunhado) na produção, sabe-se lá a que custo, enquanto os artistas desconhecidos do festival devem ter ganhado uma mixaria – ou vocês acham que os índios (!?) que desfilaram e cantaram na área de convivência do Sesc Pompéia foram bem remunerados?

Enquanto isso, diretores faturam alto, se promovem, e uma grande empresa e uma associação comercial privadas fazem caridade com dinheiro público (pois a lei reverte tudo em isenção de impostos). Lamentável.

por Roberta Lopes

Conheço e considero 3 tipos distintos de filmes nacionais:

1- Filmes regionais praticamente caricaturados que podem conter um humor sem fim ou um drama mais sem fim ainda. Os meus preferidos. O que mostram o melhor da criatividade brasileira e as melhores fotografias, roteiros e trilhas sonoras.
2- Filmes os quais após 5 minutos assistindo você é capaz de jurar que está no sofá da sua casa assistindo a mais algum capítulo de uma novela qualquer da TV Globo. Nem na sessão da tarde eu aguento muito, com raríssimas excessões.
3- Filmes que de tanto medo de serem estereotipados são os que mais assim ficam.  Aqueles que têm necessidade gigante de enfiar um palavrão em uma frase sim e outra também, enquadramentos esquisitíssimos, câmera com mal de Parkinson e a obrigatoriedade de sempre ter uma cena sem noção de uma mulher em nu frontal.

Para minha infelicidade, após assistir ao Feliz Natal (estréia de Selton Mello como diretor de longa-metragem) o enquadrei no terceiro tipo.

O enredo é interessante. Caio (Leonardo Medeiros) é o ovelha negra da família (ao menos a declarada) que ficou muito tempo fora de casa e resolve voltar para visitar a todos na noite de Natal. É recebido pelo sobrinho que não conhecia, a mãe bêbada (Darlene Glória), a cunhada solícita (Graziela Moretto) e o irmão almofadinha (Paulo Guarnieri) que o julga a todo momento. O pai (Lucio Mauro) mal se digna a cruzar o mesmo caminho e trocar olhares de reprovação com o filho “bosta”.

A partir daí todos os problemas que pareciam guardados sobre uma pesada pedra voltam à tona. Até mesmo o motivo de tanto desprezo da família com o protagonista: entre tantas outras coisas ele matou uma moça.

Não posso negar que é no mínimo corajoso lançar um filme entitulado “Feliz Natal” nesta época do ano e no lugar de neve no telhado, um gordo Papai Noel e crianças felizes, enfiar goela abaixo dos espectadores uma família em decadência e a realidade do que é o Natal pra maioria das pessoas: um periódo de consumismo desenfreado, demagogia e perdões comprados.

No entanto o desenvolvimento da idéia me parece um tanto infeliz. Poucos diálogos ao longo de toda trama e incontáveis olhares que também não dizem nada. Closes em cabelos brancos e gelos de copo de whisky. Trilha sonora (de Plinio Profeta, aquele da Eliane Galileu) cansativa e pouco criativa. Fotografia escuríssima. Trama lenta. E claro, uma cena sem noção de um nu frontal feminino.

Não desista de assistir ao filme por nada que eu disse. Mas vá preparado, o Selton Mello diretor, roteirista, editor e produtor não parece assim tão competente quanto o Xicó de “O Auto da Compadecida”, o Lourenço de “O Cheiro do Ralo”, ou o “Leléu” de Lisbela e o Prisioneiro”.

Mas se você é fã das câmeras tremidas de Fernando Meirelles compre um mega balde de pipoca e já entre na sala com um sorriso no rosto, afinal em entrevista à Folha de S. Paulo,  Selton afirmou ser este seu principal espelho. Não há como negar, os mesmos motivos que me irritaram em Feliz Natal foram os fatos tristes em Ensaio Sobre a Cegueira.

Por Fábio Vanzo

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Todo mundo que já resenhou o disco novo do Keane, Perfect Simmetry, comentou isto, mas é impossível não dizer: o som da banda está mais dançante. Barulhinhos eletrônicos, coros, batidas marcantes e demais artifícios irresistíveis nas pistas estão espalhados pelas onze faixas, junto com a tradicional formação baixo + bateria + teclado + voz. A primeira faixa, Spiralling, até assusta – dá a impressão de que o vocalista Tom Chaplin chamou o The Killers pra gravar junto. São umas palminhas e uns timbres, sonoros e vocais, que mostram que eles provavelmente tentaram inovar, sair um pouco das baladas “retas”, mas é estranho, parece artificial; talvez, se a linha continuar, seja aperfeiçoada no próximo disco. Porém não se engane: a melancolia, disfarçada no som, ainda pesa bastante sobre as letras, de “I waited up all night / But I never saw the light” da primeira canção, a “But all the principles of love / Don’t save us”, de Love Is The End, que encerra o disco. Não por acaso os melhores momentos, como a faixa-título, e a balada You Don’t See Me (que poderia estar num disco recente do U2) são as músicas sem invencionices. Não é um Hopes And Fears, nem mesmo um Under The Iron Sea, mas mantém o interesse e a expectativa por essa bela banda, com suas belas (e simples) músicas. Ele podem fazer melhor que isso.

por Raphael Prado e Roberta Lopes

No último sábado (8/11) aconteceu a 3ª edição do Planeta Terra festival, na Villa dos Galpões, zona sul de São Paulo. O evento teve aproximadamente 12 horas de duração e 15 mil pessoas passeando pelas diversas atrações didividas majoritariamente em 2 palcos [o main e o indie] e uma tenda de DJs.

Verdade que boa parte das atrações que estavam escaladas pro palco indie nunca tínhamos ouvido falar, talvez pela gigantesca explosão de bandas que carregam esse “rótulo” de indie-rock, talvez pela falta de interesse mesmo. Tanto que dali a motivação era realmente por um show, o Breeders e também havia uma certa curiosidade pra ver a inusitada dupla Brothers Of Brazil composta pelos irmãos Supla e João Suplicy.

Já no “Main Stage” rolou os shows que estávamos mais interessado em ver, e acreditamos que os principais responsáveis pela grande procura de ingressos para o festival (cerca de 15 dias antes estavam completamente esgotados): The Offspring, Kaiser Chiefs e Jesus And Mary Chain. Além deles nesse palco ainda rolaram shows do Vanguart, Mallu Magalhães e Bloc Party.

Na tenda dos DJs, apenas demos uma passadinha rápida pra conferir o que estava rolando [ou não], mas com certeza não foi tempo suficiente pra ter alguma opinião formada sobre o que estava acontecendo, então por isso vamos nos ater apenas aos shows que vimos e comentá-los por ordem cronológica (e NÃO de preferência). Mas antes de falar dos shows é valido dar uma breve pincelada em todo ambiente do festival.

Primeiro Mundo

Fábrica desativada garante diversão e conforto - foto by Robs

Fábrica desativada garante diversão e conforto - foto by Robs

A tal “Villa dos Galpões” é uma fábrica desativada na avenida Nações Unidas e muito bem aproveitada pela organização do Planeta Terra. A estrutura foi mantida sem retoques ou reformas, acreditamos que exatamente para dar um certo ar “underground”.

Durante os intervalos dos shows ou no “caminho” de um palco para outro, o público podia conferir alguns galpões com outras atividades, como o Espaço Sonora, onde rolava sons da radio on line do site Terra; um mini Mercado Mundo Mix com alguns stands de roupas e acessórios à venda; o espaço Recicleiros, e o espaço destinado a navegar na Internet com alguns laptops disponíveis para o público.

Além deles alguns galpões eram especialmente reservados para os bares, caixas, guarda-volumes e banheiros. Estes aliás surpreendentemente limpos e perfumados, ao menos o quanto isso é possível quando se trata de um festival de rock. Folhas de eucalipto (ou pinho, não sabemos ao certo) forravam todo chão do local reservado para as cazinhas azuis e “tias da limpeza” verificavam constantemente o estado do banheiro químico, inclusive renovando papel higiênico.

O ponto baixo foi a praça de alimentação que além de ter poucas opções práticas, só aceitavam pagamento em dinheiro (ao menos até metade do evento quando alguns stands providenciaram uma maquininha de débito). A falta de um caixa eletrônico era gigante, afinal já que o festival dispunha de vários seguranças e até mesmo um espaço com computadores, não seria nenhum absurdo ter um espaço reservado com um caixa 24 horas. Mas é o único porém.

No geral o festival é daqueles possíveis de considerar de “primeiro mundo”, afinal o cuidado era tanto que na entrada houve a distribuição de mapas e horários dos shows e até mesmo um inusitado porta bitucas de cigarro no formato de um grande tubo de ensaio.

Agora sim vamos falar de música!

Brothers of Brazil

Um das coisas mais inusitadas já vistas!! Uma mistura maluca e infindável de coisas ao som do violão tocado pelo João e da bateria tocada pelo Supla, em conjunto com vocais dos dois em todas as musicas. Canções tão distintas que vão de “Garota de Ipanema” até um cover dos Ramones fazem parte do repertorio da dupla.

Famila Suplicy tem criatividade e elegância

Famíla Suplicy tem criatividade e elegância

Porém é indiscutível dizer que o o que mais chama a atenção é sem duvida o visual deles. João estava todo de branco: paletó, camisa e calça, além de um sapato bicolor e um topete quase rockabilly. Já Supla estava com uma calça rosa com detalhes de tecido de oncinha, camisa branca e seu tradicional cabelo espetado.

É inevitável não lembrar do antigo slogan de uma marca de cigarros ao vê-los “Cada um na sua mas com alguma coisa em comum”. Vale a pena pra tirar a curiosidade do trabalho da dupla, mas o Supla-Papito solo ainda é preferível.

Jesus and Mary Chain

Apesar de conhecermos algumas músicas da banda, nunca tínhamos visto nada ao vivo, então a curiosidade era grande em relação ao show liderada pelos irmãos Reid.

Musicalmente eles mandam muito bem, a “cozinha” baixo-bateria sempre é uma das coisas que eu (Rapha) mais presto atenção nos shows, e a cozinha do Jesus manda muito bem. A banda toda deu conta do recado musicalmente falando, mas domínio de público e palco definitivamente não é o forte deles que apresentaram um show pra lá de introspectivo.

No set list os destaques ficam por conta de canções como “Just Like Honey” [que foi usada na cena final de "Lost in Translation"], “Happy When It Rains”, “Reverence” [que estava na trilha do filme Pet Semetary II de 1992.] e a inédita “Kennedy Song”.

The Offspring

Dexter e seu novo visual

Dexter e seu novo visual tiozão teen

Logo que terminou o show do Jesus and Mary Chain, nem saímos da pista do “Main Stage” pois em menos de 30 minutos começaria um dos, se não o show responsável por termos garantido o ingresso para o festival.

O Offspring entrou no palco mandando uma musica do seu mais recente cd, “Stuff is Messed Up” de Rise And Fall, Rage And Grace [2008]. O público estourou entre rodas de bate cabeça e pulos empolgados desde aí; como presente a banda emendou logo na seqüência um set list que se tornou quase uma coletânea ao vivo da banda recheada de hits como:  “All I Want”, “Come Out And Play”, “Hit That”, “Why Don´t You Get a Job”, “Pretty Fly (For a White Guy)”, “Kids Aren’t Alright” e “Gone Away”.

Dexter Holland detonava com vocais tão perfeitos que até assustava qualquer fã de “punk” que com certeza não espera uma performance tão redondinha de uma banda do gênero. A idade avançada, os nítidos quilinhos a mais e o novo visual cabelo escovado também não foram capazes de atrapalhar sua performance no palco, sempre empolgada e de total entrega.

Já o guitarrista Kevin Noodles estava ligado no 200 volts, não parava um segundo agitando muito o show todo. Em dado momento, trajando a camisa da seleção brasileira de futebol com o numero 9 nas costas, ainda brincou com a “pequena” barriga do nosso fenômeno Ronaldo [o bola].

Além do ritmo plugado já conhecido, o Offspring entrou na onda acústica e também arriscou um set mais calmo com uma versão quase “sing along” de “Why don’t you get a job?”.

A banda foi uma das poucas que ainda voltou pro bis (após incontáveis pedidos do público) com mais três musicas, entre elas “Want You Bad” que antes de rolar o show era nossa principal pedida. Quando ela tocou sabíamos que não importava o que ainda faltava pra ver no festival, mas com certeza o show do Offspring acabava de ser coroado como melhor show do Planeta Terra!

The Breeders

Mal acabou o show do Offspring e saímos do palco principal e nos dirigimos ao palco Indie pra ver o show da lendária banda americana The Breeders que tem como fundadoras as irmãs gêmeas Kelley e Kim Deal (a última conhecida como baixista do Pixies, banda considerada uma das mais importantes do rock alternativo do final dos anos 80 e inicio dos anos 90).

O show foi todo feito com muita energia, competência e carisma da banda toda, e o público correspondia enlouquecidamente cantando todas as musicas tocadas. Sabe o que comentamos sobre a falta de interação entre banda-público no show do Jesus and Mary Chain? Aqui até sobrou.

As irmãs Deal esbanjam simpatia e carisma

As irmãs Deal esbanjam simpatia e carisma

O ponto alto do show foi sem duvida o megahit “Cannonball” quando todos na pista cantavam, dançavam e sem exagero nenhum alguns fã ate faziam performances durante a musica. Além dela canções como “Divine Hammer”, “Saints”, “No Aloha” e até mesmo o cover dos Beatles com “Hapiness is a warm gun” garantiram a felicidade do público que lotava o galpão reservado para o palco Indie.

Foram 1 hora e 15 minutos de show que certamente entraram pra história do festival e pra história pessoal de cada um que pode assistir à apresentação.

Vale dizer que na mesma hora rolava o show do Bloc Party no Main Stage. Fato que só ajudou ao show do Breeders ficar ainda mais especial, afinal só estava ali quem realmente gostava do trabalho da banda.

Kaiser Chiefs

Sem ofender aos fãs do Kaiser, sempre fizemos confusão entre o Kaiser Chiefs e o Artic Monkeys (e em algumas vezes com o Killers, o Franz Ferdinand e toda essa leva de bandas que surgiram juntas com musiquinhas pulantes), então fomos ao festival esperando ouvir músicas que no fim descobrimos não serem deles, ao menos não todas.

Empolgação de cueca vermelha

Empolgação de cueca vermelha

Deles mesmo só restaram quatro: “Everyday I Love You Less And Less”, “Ruby”, “Angry Mob” e “I Predict a Riot”, todas impecavelmente executadas e com o vocalista Ricky Wilson monstrando-se um baita show-man cantando, pulando feito um louco, mergulhando na platéia (com a proteção da grade e a “sutil” mão do segurança no cós de sua calça) e até mesmo arriscando algumas palavras em português. Uma verdadeira animação e alegria durante todo o show.

Foi a banda que mais nos surpreendeu positivamente, pois não esperávamos nada e ali na hora presenciamos um show cheio de energia e uma baita interação banda-público-banda. Sem dúvida nenhuma um belo encerramento de um respeitável festival.

Ano que vem mesmo sem banda de grande interesse é pra lá que vamos! ;-)

Vídeos oficiais: http://terratv.terra.com.br/planetaterra2008/templates/ol_morevideos.aspx#

Todas fotos do post são do portal Terra

Por Fábio Vanzo

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Citibank Hall (São Paulo), 8/11/2008

Após eu reclamar deles num dos meus blogs pessoais, e, inclusive, enviá-los essa reclamação, que eu sabia não ser só minha, mas dos poucos fãs de verdade do Skank (eles são uma banda com muito público, mas de alta rotatividade – o pessoal os vê como uma banda de balada), parece que eles finalmente tomaram jeito e resolveram fazer um show mais corajoso. Apesar de eu não ter gostado do Estandarte, como disse aqui e aqui, e de as músicas não funcionarem melhor ao vivo do que no disco, o setlist foi surpreendente, com a primeira metade inteiramente dedicada a músicas novas e semi-hits (como Mil Acasos, por exemplo – que não deve ter dado certo porque se declarar ateu no Brasil ainda é um problema), deixando o público visivelmente morno. Mas o que importava é que a banda parecia satisfeita, e todos tocavam bem afiados. Só na segunda metade é que o Skank deu ao público o que ele queria: uma enxurrada de hits. Mesmo assim, a maioria foi da segunda fase da banda, do Maquinarama para frente, o que é um bom sinal. No mais, empolgação, profissionalismo e absoluto domínio do palco e do público destes que são os legítimos herdeiros de Lulu Santos no trono do Pop Perfeito.

Sobe
setlist novo
– interatividade: escolha do bis por SMS e lojinha da banda
– cenário belíssimo (só perde para o do Cosmotron)
Ali e Helter Skelter no bis
– Doca Rolim, o guitarrista contratado, tocando cada vez melhor

Desce
– o disco novo não melhorou ao vivo
– vinhetas instrumentais desconectadas das músicas
– a mesma vinheta inicial do Sergio Morricone (idéia copiada do Metallica) tempos
– presenças dispensáveis de Chuck Hipólito e Negra Li (esta, além de tudo, previsível)
– repetir o single (Ainda Gosto Dela) no bis, coisa ridícula

por Roberta Lopes

Uma livre adaptação do desfecho de todo episódio do desenho infantil homônimo. Melhor frase pra resumir como foi a noite do último domingo no Inferno Club. O show das “The Donnas”, atração principal da noite, foi tão bom que conseguiu transpor todas as irritações causadas pela má organização da casa. E olha que foram muitas!

Depois de mais de uma hora e meia de atraso para abertura das portas e mais uma meia hora de discotecagem no mínimo (pelo menos era só de música boa) os fãs das The Donnas ainda tiveram que assistir a não uma, mas sim duas bandas de abertura.

Nunca fui nem um pouco fã de ter que aturar uma banda lá em cima do palco se esforçando pra conquistar o público que definitivamente não está lá pra vê-la. Enquanto eles ocupam o lugar da banda principal eu me divido em partes em que fico com dó e em outras que quero subir no palco e esganar os músicos com minhas próprias mãos.
 
Tá, meu lado racional sabe que essa é a forma que muitas bandas têm pra conquistar um lugar na cena musical. Mas já que é pra fazer, faz direito sabe como é? Definitivamente não estou falando das bandas em si, mas da organização do evento. Afinal depois de tanto atraso, ouvir cerca de meia hora de show de Condessa Safira e HellSakura (cada uma) definitivamente não estava nos meus planos.

O bom (pra casa) é que a maioria do público parecia deslumbrado em ter saído pela primeira vez de casa sem os pais e mais ainda com a idéia de voltar pra casa depois das 22h, então tudo que estivesse ali era lucro pra eles. Outro dos pontos baixos da noite está aí: a censura era de apenas 14 anos.

Mas também não era muito difícil encontrar umas caras insatisfeitas e entediadas no meio da multidão (ou ao menos da multidão necessária pra encher o Inferno). No meu caso eu só pensava em como meus pés e minhas costas doíam e como eu ía fazer pra trabalhar decentemente no dia seguinte.

Condessa Safira e HellSakura - Diversão e tortura na espera

Condessa Safira e HellSakura - Diversão e tortura na espera

Condessa Safira

A primeira banda até que não foi difícil de aguentar. Na verdade se não estivesse nas condições já ditas até teria gostado do som deles. Um rock com ares de pop despretensioso que com certeza é capaz de garantir algumas horinhas de diversão.

E além das músicas próprias daquelas fáceis de decorar, ainda fizeram um cover de Skid Row com uma versão bem rápida da baladinha “I’ll remember you”. Nessas horas assumo que eu já estava totalmente consquistada e se não fosse o cansaço teria até entoado o corinho dos fãs que a cada fim de canção gritavam “Condessa” naquele ritmo cadenciado típico de todo show.

Se acabasse aí eu juro que esse post seria só elogios, mesmo com o atraso, mas aí depois de mais uns 20 minutos de discotecagem e troca de instrumentos no palco tive que aturar a…

HellSakura

Olha, posso estar sendo totalmente injusta em dizer isso. Mas ninguém merece aquela banda; eu pelo menos tenho certeza que não joguei pedras na cruz suficiente pra merecer.

A líder é a Cherry, conhecida do rock independente, já fez parte do Okotô e da banda punk Hats. É, se é estilo que procuram ela é a mina (será?). Mas eu não consigo gostar de uma mulher que canta como o vocalista do Sepultura e conversa com o público entre as músicas como a “Xuxa só para baixinhos”.

E se eu disser que ela ainda anunciou uma música chamada “Meu nick não para e o seu também não?” Pois é. Ainda é necessário dizer que ela teve a coragem de apresentar a guitarra???

As donas da noite

Depois de tanta tortura, confesso que desânimo era meu nome e irritação meu sobrenome. Não conseguia me conformar que uma noite que eu esperava há cerca de 10 anos tinha se transformado naquele verdadeiro show de horrores.

Os malditos shows de abertura tinham acabado e a movimentação dos “roadies to go” das The Donnas pareciam nunca acabar. Já se aproximava das 22h e tudo que eu conseguia pensar era que o show estava 2 horas atrasado e que a casa tinha uma balada marcada às 23h.

Mas de repente a discotecagem terminou. As luzes se apagaram. O gelo seco me cegou. E finalmente estava acontecendo: a espera tinha acabado.

Brett e Maya

Brett (vocal) e Maya (baixo)

Junto com a sirene do ínicio do último álbum da banda (Bitchin-2007), Torry, Allison, Maya e Brett subiram no palco e iniciaram um show de lavar a alma com a música título seguida de “Don’t wait up for me”, o novo single, lançado durante a turnê da banda aqui no Brasil.

Músicas dos 11 anos de carreira foram tocadas naquela pequena 1 hora de show (lembram-se que eu falei da balada marcada para as 23h né?) com tanto fervor e tanta felicidade que tudo pareceu um verdadeiro videoclipe em velocidade aumentada.

Sucessos esperados e surpresas nunca imaginadas agitaram o público que cantava em uníssono cada palavra dita pela Brett. “Better off Dancing”, “Smoke you out”, “Takes one to know one”, “Smoking Cheeba”, “Who Invited You” e a preferida “Didn’t like you anyway” foram algumas das canções que tive o prazer de ver ao vivo e maior prazer ainda de constatar que elas são tão boas quanto nos álbuns.

Assumindo o preconceito nada feminista, nunca fui muito fã de mulheres na música. Sempre as achei muito preocupadas em ser bonitinhas e pouco empenhadas em mostrar que sabem cantar ou tocar. “As Donnas” mostraram ali naquele “pocket” que mulher sabe sim fazer rock, é só querer e gostar do que faz.

Impossível não destacar o jeito que a Torry toca, a pequena é toda delicada, loirinha, bonitinha e baixinha mas desce os braços na bateria com muito mais vontade e conhecimento de causa do que muito marmanjo por aí. Allison, a guitarrista, é mais introspectiva, toca quase o tempo todo com os cabelos no rosto e parece mergulhada em um mundo só seu, mas tão próxima das amigas de banda que casa os riffs perfeitamente com as levadas de baixo de Maya, a “patinho feio” da banda; que me desculpem os fãs mas ela pra mim parece fora de sintonia de todo o resto, apesar de competente no que faz. Brett, a vocalista, a líder, garantiu todos os sorrisos para e da platéia, arriscou um português básico de “obrigadas” e “amamos São Paulo” e soltou a voz totalmente segura de seu papel.

Allison e Torry - Donnas R e C

Allison e Torry - Donnas R e C

O show terminou com a música responsável por você conhecer as meninas de quem estou falando, se é que conhece: “Take it off”. A única música veiculada nas rádios aqui no Brasil, a única que me lembro também de ter ganhado um clipe, aquela que quando as pessoas ouvem dizem “ahhh essa é a banda que você tanto gosta?”

Claro que fechou com chave de ouro. Mas se você aí é um dos que só conhecem essa música, faça um favor a si mesmo e vá em busca das outras músicas das “The Donnas”. Você só tem a ganhar, afinal não é qualquer banda que faz tantos contratempos serem apagados com um show de apenas uma hora de duração.

Site oficial: http://www.thedonnas.com/

Por Fábio Vanzo & Renata Getz

28/10, 19h30min. O público era estranho: um shopping center; a organização, a cargo da Alpha FM e do próprio estabelecimento, mais ainda. O palco foi montado e… cadê o resto da banda? Eis que o show foi feito somente com Lobão (violão de 6, violão de 12 e viola de 10 cordas) e Edu (violão de 6 e bandolim), tendo como base o repertório do Acústico MTV. Não me recordo da ordem, mas, entre uma piadinha e outra (Lobão estava de ótimo humor) e cutucadas que atingiam da Marta Suplicy (versos d’A Queda) à parte do público – que ficava gritando o irritante bordão “Toca Raul” –, foram tocadas El Desdichado II, Essa Noite Não, Décadence Avec Elégance, Vou Te Levar, Por Tudo Que For, Noite E Dia, Me Chama, A Queda, A Vida É Doce, Canos Silenciosos, Rádio Blá e Corações Psicodélicos. Após o show, conseguimos uma exlusiva com o Grande Lobo, que você confere a seguir.

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Como foi tocar hoje só você e o Edu, sem o resto da banda? Achei que as músicas mais pesadas não funcionariam, mas ficou tudo ótimo…

Eu e o Edu fomos a primeira célula do disco. Nós ficamos ensaiando três meses sozinhos, antes de o resto da banda se acoplar. Então a gente elaborou praticamente tudo.

Como foi tocar músicas que não são hits, como El Desdichado II, para um público de shopping, um público que não é necessariamente de fãs seus?

Eu ‘tô acostumado, cara; pra você ter uma idéia, em 1999, antes d’A Vida É Doce, eu não tinha dinheiro pra fazer o disco, então eu saí tocando com o violão essas músicas, o que me deu uma canja, de fazer assim, tanto show sozinho. Mas hoje nosso equipamento e nossos arranjos são muito mais sofisticados. El Desdichado II, por exemplo, eu vi pessoas cantando, e A Vida É Doce eu já considero um hit interno, A Queda também.. então eu ‘tô muito satisfeito… mas também foram anos de adestramento da platéia Quando eu não quero eu não toco e pronto. Hoje mesmo dei um certo esporro na platéia, lógico que por um certo folclore também [risos], já tem essa parada.

E o Canções Dentro Da Noite Escura, que é um disco com o qual você disse ter se decepcionado com as vendagens…

Ele é um disco natimorto… vendeu, até, pra um disco independente, bastante, umas 18.000 cópias, mas comparando, por exemplo, com A Vida É Doce

Mas então não é um problema de excesso de expectativa da sua parte?

Não, não, ele morreu, é um disco natimorto. Não tocou, ninguém falou dele, não teve lançamento, ‘tá entendendo?…

Não é talvez porque ele seja o seu disco mais difícil de ser digerido? Pelo menos, pra mim, é seu disco mais difícil. 

Não, não… olha, todo mundo sabe que eu acho ele meu melhor disco, a crítica especializada também… é um disco pra ser tocado inteiro, é uma ópera, embora você possa pinçar coisas absolutamente palatáveis como aquela com o Cachorro Grande (cantarola “não demora…”). Tem O Homem-Bomba, A Balada Do Inimigo… eu adoro A Vida É Doce, mas o Canções… é mais sofisticado, mais bem gravado. Mas é um páreo duro.

Bom, pra mim, mesmo com toda a irregularidade, meu preferido é o Nostalgia Da Modernidade.

É um disco esquizofrênico, fora do meu padrão. Eu fiz um disco mostrando como eu não sou. Eu gosto, até, é bem feito, mas não tem unidade, é feito pra provocar, tem um material muito denso, realmente, tem samba… mas eu ‘tava “fora da casinha”… eu ‘tava querendo me desconstruir como roqueiro e usei meu conhecimento musical pra isso, um disco esquizofrênico. Mas ele não tem a maturidade nem musical, nem de letras, d’A Vida É Doce… não da nem pra começar. Um que se aproxima d’A Vida É Doce é o Noite. Esses dois e o Canções… são os melhores. Perto desses, o Nostalgia… não ‘dá nem ‘pra começar. Tem A Queda, mas é um disco careta, e foi no começo da era do ProTools, então ele foi mal utilizado, houve uns “cortes” que tiraram um pouco do suíngue, foi um problema sério. Fora o problema mesmo de ser um disco extemporâneo…

Mas você costumava dizer que ele era a primeira parte da sua trilogia “adulta”, junto com o Noite e A Vida É Doce

Não, ele era uma trilogia, eu costumava falar isso, mas como vieram os outros, foi como se uma lei da gravidade atraísse os três mais recentes. Tanto que o repertório é praticamente feito em cima deles. Tem coisas no Nostalgia… que não dá pra tocar, são até ingênuas, tipo Mal De Amor [cantarola, com suingue sarcástico – “Pra começar...”], aquela Aurora, vou parecer um “universiotário”. E o que está lá, esse negócio “de raiz”, de samba, é tudo que eu não quero (enfático) na minha carreira agora.

E a música do Vímana, como ela apareceu no disco?

Foi um prazer porque, na verdade, essa música foi muito emblemática, foi justamente na época em que uma banda de rock progressivo, aliás, por causa do Lulu, que foi até um grande DJ da época, o Big Boy…

Vímana, que, aliás, terminou por sua causa, dizem…

[Tranqüilo] Não, não… não é verdade. Eu cagüetei ele pro Patrick Moraz (ex-tecladista do Yes), e ele foi expulso da banda – isso ele não fala. Ele diz que eu roubei a mulher do cara, isso não é verdade. Nós ficamos ensaiando oito meses com o Patrick e eu só tive um relacionamento com a mulher dele quando a banda já havia terminado. E a banda terminou por um motivo singelo, simples: ela era um megaprojeto multimilionário pra competir com o Yes, um puta esquema milionário com o Peter Grant, empresário do Led Zeppelin, ficamos ensaiando oito meses na maior mordomia. O que aconteceu foi que gravaríamos um disco no Rio, depois iríamos pra Genebra, saindo em turnê mundial. Lá ele ia anunciar sua saída do Yes – pra entrar na nossa banda (risos). Só que como ele não era do Brasil, precisava, de tempos em tempos, sair pra renovar o visto; aí o que aconteceu foi o seguinte: ele foi até a Inglaterra justamente na semana em que estourou o punk inglês, e veio com a mala cheia de discos dos Pistols, do Elvis Costello, do Buzzcoks e do Clash, passadíssimo. E a gente com aquela estampa de roqueiro progressivo… a gente se achou totalmente up-to-date… aí então, eu peguei aquela onda, o Lulu pegou, o Ritchie pegou… aí, um pouco antes de isso acontecer com o Patrick, o Lulu, como eu ‘tava te falando, foi até o Big Boy e ele quis jogar um jabá homérico no Lulu, falando que aquilo nunca ia tocar no rádio, e o Lulu falava “chega de ser marginal!”. Mas a verdade é que a gente ganhava muito mais dinheiro fazendo shows: temporada de um mês no Teatro Teresa Raquel, capacidade pra 800 pessoas, tocando de quarta a domingo. Depois fazia a mesma coisa no MAM. Tinha muito volume de show, mas não tocava no rádio, lá a gente passava despercebido. Quando a gente quis fazer uma coisa, a gente fez o compacto com essa música (O Mistério) e Zebra. Mas essa foi antes do compacto, tanto que eu mostrei pro Lulu e, a princípio, ele nem se lembrava dela.

E como é sua relação com pessoal do Vímana?

[Assessor pede o fim da entrevista. Sinalizamos pedindo mais uns minutos]

É mais ou menos. Ontem o [Luiz Paulo] Simas me mandou um e-mail, o Ritchie às vezes eu encontro, o Lulu… o Luiz Paulo voltou de Nova York agora… a gente não tem tanto contato, mas eu os considero como meus irmãos.

Você faria algo de novo com eles? Mesmo brincadeira, assim, de curtição, uma jam session, um showzinho…?

Não, não tem por que, justamente por ser uma coisa pela qual tenho o maior respeito, que pertence àquele contexto, e que não tem motivo pra retornar. O Luiz Paulo agora é professor de música popular brasileira em Nova York, é uma sumidade, toca bossa nova ao piano no Carneggie Hall, nada a ver com aquilo. O Fernando [Gama] ‘tá com um projeto instrumental… ‘tá cada um na sua onda. Então não tem porque reativar uma banda que na verdade nem chegou acontecer, e que só ficou famosa porque os ex-integrantes tiveram êxito em suas carreiras-solo. Foi só uma banda embrionária do que seria a gente.

E qual é a SUA onda agora? Vai continuar curtindo o acústico ou já…?

Não, não [interrompendo], esses shows já são “terminais”.

Você já tem alguma música pronta?

Estou com um conceito de pegar todas as minhas músicas que não foram gravadas, e tocá-las, coisas d’A Vida É Doce, do Cena De Cinema, coisas que nunca foram tocadas ao vivo.

E há previsão do relançamento dos seus discos fora de catálogo?

Na verdade, concomitante ao contrato desse disco acústico, foi feito um contrato de relançamento de todos os meus discos pelas três gravadoras em que estive – Sony, Universal e EMI – e fazer uma caixa, incluindo outtakes do Vida Bandida, por exemplo, temos um monte de outtakes, tem uma música inédita que eu gravei em 2004 com o Cachorro Grande e achei outro dia lá em casa, num gravador, aí é só masterizar… tem esse monte de novidades. Então, como essa correria do acústico eu não tive tempo de fazer nenhuma música nova, por isso precisei criar um conceito para um show elétrico, algo que não seja gratuito, que tenha uma função sonora e artística, um estilo.

Valeu Lobão, muito obrigado, a equipe d’A Doze Mãos agradece.

Pô, valeu, eu que agradeço!

por Roberta Lopes

Já estava decidido há algum tempo, nesta noite de sábado eu finalmente iria conhecer o Kazebre. Nunca tíve motivo bastante pra praticamente cruzar a cidade e encarar o fim do fim, do fim da avenida Aricanduva, mas ontem era inevitável. Finalmente o Biquini Cavadão tinha um show marcado em SP, e era lá.

Pra deixar claro o lugar é uma casa de shows (especialmente shows de rock) famosa aqui em São Paulo. O problema é que fica localizada literalmente no meio do nada, e isso pra quem depende de transporte público, mora em São Bernardo e é um tanto medrosa, é um baita impecilho. Ou pelo menos era, até o último sábado. Afinal a casa é sensacional, uma estrutura pra lá de atraente e dona do melhor sistema de som que já escutei. Deixa no chinelo casas renomadas como Credicard e Citybank Hall por exemplo.

Assim que o show foi anunciado, eu e mais dois integrantes deste blog (o Rapha e a Regiane) garantimos os nossos ingressos. Foi especialmente mágico ver o vendedor da Consulado do Rock tirar o lacre do pacotinho e entregar os nossos convites do “Piquini Cavadão” (sim, está grafado errado no ingresso).

A noite, no entanto começou bem já na banda de abertura com…

O metal dos “Radioativos”

Uma banda de Bragança Paulista que manda muito bem em sons que passam por diversas vertentes do metal.

Com covers de System of a Down, Rage Against the Machine, Raimundos, Metallica, Slipknot, Link Park e Pantera, entre outros, eles consquistaram facilmente a platéia que esperava pela atração principal da noite.

Difícil, ou até mesmo impossível seria destacar um integrante. Sabe quando simplesmente não dá para dizer que o destaque está centralizado no baterista ou no vocalista por exemplo? Com a Radioativos a coisa é bem separada. Cada um se mostra muito competente no que faz. O vocalista Michael, além de ter uma voz muito bem preparada ainda tem um verdadeiro controle do espaço do palco e uma troca de energia com a platéia que garante um show de total sintonia entre público e banda.

Revolucionários - New Metal de Bragança Paulista

Radioativos - New Metal de Bragança Paulista

As músicas próprias apresentadas não deixam por menos. Com influências nítidas dos covers tocados, as canções autorais não deixam o peso nem o clima do show cair, mesmo ainda desconhecidas da maior parte do público. Em um inglês perfeito, a banda segue o vocalista (ou seria o contrário) com riffs de guitarra cuidadosamente desenvolvidos, levadas de baixo pesadas e uma bateria que fecha com destreza o som redondinho.

Hoje, após uma breve pesquisa descobri que os amigos Marcelo (guitarra), Michael (voz), Adoanai (baixo) e Horror (bateria) estão juntos apenas desde maio deste ano nessa formação.  O que impressiona ainda mais tamanha integração entre os sons.

Pra conhecer a banda só acessar:
http://www.radioativos.com.br/
http://www.myspace.com/radioativos

Pouco depois era hora do tão esperado show, por volta das 2h20 o Biquini entrou no palco e nos deu duas horas de um espetáculo animado, cativante e extremamente competente!

O que vocês querem ouvir

Em dado momento do show Bruno Gouveia fez um discurso básico sobre o porquê de ficarem tanto tempo sem vir para São Paulo fazer um show. Algo como: “é difícil tocar fora do nosso estado quando não tocamos nas rádios, muita gente acha que o Biquini está de volta sem nunca termos parado e isso acontece em partes por culpa do público. Você tem que ligar na rádio e fazer eles tocarem o que vocês querem ouvir e não o que eles tem lá pago por jabá”. Não sei se acredito em uma solução assim tão fácil mas ali no palco do Kazebre, durante mais de 2 horas ouvi exatamente tudo o que queria.

A culpa de eu gostar tanto de Biquini hoje em dia é do Rapha, pra mim eles eram a banda dos hits “Chove Chuva”, “Zé Ninguém”, “Vento, ventania” e no máximo “Tédio”; até que fui apresentada a canções incríveis que representam muito mais do que algum barulho capaz de te divertir.

Na noite de sábado foram apresentadas músicas de “passado, presente e futuro” da banda. Os hits indispensáveis já citados, as canções “Em algum lugar no tempo” e a faixa título do mais recente álbum “Só quem sonha acordado vê o sol nascer” e também algumas versões de clássicos do rock 80 como “Exagerado” (Cazuza), “Índios” (Legião Urbana) e “Marvin”(Titãs) gravadas no DVD “80 – 2″ que deve ser lançado “para o Natal”, segundo Bruno Gouveia, vocalista da banda.

Biquini por Clayton Rock

Biquini por Clayton Rock

Nunca havia assistido a um show ao vivo deles, mas pelo que vi no DVD e ouvia os outros falarem fui pra frente daquele palco com uma expectativa gigantesca. E não é que ela ainda foi superada? A banda toda é muito boa, mas não dá pra deixar de dizer que no mínimo 80% do brilho da apresentação é “culpa” da animação e presença de palco do Bruno.

Em dado momento, como já é de praxe, durante a música “Mundo da Lua” um fã é chamado ao palco para cantar com a banda. E olha, a escolha parece ter sido feita a dedo. A integração do menino com o Biquini foi tão grande que confesso que até gera suspeitas de um ensaio anterior. Na hora foi criado um daqueles momentos de euforia tão grande que me sentia ali em cima também, dividindo com cada um presente na platéia a felicidade de finalmente participar de um show da banda.

É, digo participar e não assistir porque é assim que me senti ali. A banda conduz com tanta maestria o público que conseguiram fazer todo Kazebre, dar um passo pra trás, agachar no chão e explodir de uma só vez em um pulo perfeitamente sincronizado em uma das músicas finais. Isso tudo pouco depois de um mosh do vocalista no meio do público. Sim, ele é louco!

Biquini Showman Gouveia por Clayton

Biquini Showman Gouveia por Clayton Rock

Infelizmente não tenho uma memória muuuuito boa e não serei capaz de lembrar todo o set list, mas além das já citadas as baladas “Quando eu te encontrar”, “Quanto tempo demora um mês” e “Vou te levar comigo”; também tiveram seu lugar. “Tédio”, “Timidez”, “Dani”, “Impossível”, “Janaína” e “Carta aos missionários” também figuravam o papelzinho embaixo do pedestal.

No pós show ainda teve fotos e autógrafos e mais uma lição de como ser um ser humano especialíssimo. Já passava das 4h da madrugada e Bruno atendeu a uma fila de mais de 100 pessoas com um sorriso no rosto, conversas intermináveis e uma simpatia de invejar qualquer um.

Saí de lá com uma gigantesca sensação de felicidade, a certeza de que bandas oitentistas são um baita exemplo pra qualquer bandinha atual que tem tudo tão fácil que chegam no palco com atitude de “só estou aqui porque to enchendo o bolso de dinheiro” e uma vontade imensa de viver aquelas duas horas novamente.

Vida longa ao Biquini Cavadão e muitas passagens por São Paulo, é tudo que desejo!

* O título é aspas do twitter da banda