por Fábio Vanzo

Sabe-se lá por que o Skank resolveu dar alguns passos atrás neste novo disco, o Estandarte, deixando o britpop + clube_da_esquina e voltando aos indecisos tempos do Siderado e do Maquinarama, com faixas que transitam por vários estilos e não têm uma cara “do disco” – Pára-Raio lembra Água E Fogo, do Maquinarama, cuja faixa-título, por sua vez, tem uma contrapartida em Renascença. Dudu Marote encheu as canções com desnecessários barulhinhos eletrônicos, como também é dispensável a Negra Li cantando junto em Ainda Gosto Dela. Parece que eles chegaram sem nada pronto e entregaram uma demo – feita lá no estúdio do Dudu mesmo –, que produziu tudo à revelia, como Phil Spector em Let It Be. Quem gostava do Skank “das antigas” é capaz de curtir este disco, visto que estão de volta as levadas “deridaumdaumdaum”, os metais e os grooves de dancehall. Ah, e as levadinhas à Taxman estão cansando. Não por acaso os melhores momentos do disco são os que lembram algo de Cosmotron e Carrossel: Chão e Submundo. Ruim não é, visto que são compositores e músicos talentosos. Mas dessa vez, para mim, que considero Cosmotron o melhor disco já feito no Brasil (em todos os sentidos), ficou faltando alguma coisa, talvez o passo à frente mesmo.