por Fábio Vanzo

Em vez de ficar idolatrando coisas toscas como o Cinema Novo, os cineastas brasileiros deviam seguir a linha de cinema “com culhões” de Zé do Caixão, Rogério Sganzerla e o pessoal da Boca Do Lixo em geral, a fim de que saiam mais filmes como os de José Padilha (Ônibus 174, Tropa De Elite) e Fernando Meirelles (Cidade De Deus, O Jardineiro Fiel). Filmes que não tenham medo de romper com padrões já estabelecidos, que não se sujeitem à opressão dos fantasmas de Glauber Rocha e da síndrome de quero-fazer-cinema-francês. Chega de filme frouxo, contemplativo, sem roteiro decente! Lição de casa: vão ver Ensaio Sobre A Cegueira. Independentemente do livro – e eu digo isso porque acredito que, sendo mídias diferentes, um não pode se atrelar muito ao outro – é um filmaço; duro, frio, cru, rude, uma verdadeira aula. Fotografia perfeita, grandes atuações (Gael García Bernal, Danny Glover e uma magnífica Juliane Moore) e uma grande história. Não precisa muito, precisa? Você tem um roteiro legal, bons atores e uma boa equipe, e faz um bom filme. Por que os Walter Salles da vida insistem em ignorar isso? Ensaio… só não leva 10 porque tem umas narrações em off que são (sempre) desnecessárias. Nove e meio para o filme, imperdível.