por Fábio Vanzo

Que Fernando Morais é o maior biógrafo do país, com um estilo envolvente (porém ser os recursos fáceis do new journalism) que prende o leitor como se este estivesse lendo uma peça de ficção, não é segredo para ninguém; assim como é notório que, gosto pessoal à parte, Paulo Coelho é um fenômeno editorial que merece ser decifrado. Pois se O Mago não consegue exatamente explicar o porquê de um escritor de auto-ajuda com glacê de misticismo que vive derrapando na Flor do Lácio consegue vender tanto no mundo inteiro, se sai muitíssimo bem ao contar a trajetória de Paulo: tentativas de homicídio (culposas) e suicídio, abortos, experiências com drogas de todos os tipos, pactos com o Diabo, loucura e depressão. Tudo movido pelo sonho de uma pessoa confusa e insegura, de caráter às vezes discutível, que tinha uma idéia fixa, como a de Brás Cubas: ser um escritor famoso no mundo inteiro. Diversão garantida, como é de praxe nos livros do Fernando; o único senão é a pouca ênfase na parceria musical com Raul Seixas. Mesmo assim, é um livro imperdível.