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por Roberta Lopes

Não é nada raro nos dias de hoje um certo intercâmbio de artistas em áreas diferentes da sua de origem. Quantos atores viram “cantores” do dia pra noite e vice-versa? Só acho complicado quando essa nova empreitada pode não mostrar lá muito talento do arista em questão, que parecia (e realmente era!) tão bom no que fazia originalmente e decepcionar as pessoas que acompanhavam sua antiga carreira…

Pois foi exatamente isso que aconteceu comigo quando li “A favor do vento”, livro escrito por Duca Leindecker, vocalista da banda gaúcha Cidadão Quem e atual parceiro de Humberto Gessinger no duo Pouca Vogal.

O livro, de 2002, não chega a ser ruim; mas é sem graça, sem ritmo, sem novidade alguma e capaz de me fazer duvidar da autoria das letras da banda. A história me lembrou diversos outros enredos com os quais me deparava nos livrinhos infanto-juvenis: um menino em busca de algo ainda desconhecido que sente falta de um antigo amor e relembra sua juventude enquanto roadie de uma banda de rock. E é claro que lá pro fim do livro o personagem passa a cobiçar um lugar ao sol como músico.

“A favor do vento” é a segunda obra literária de Duca, mas foi o primeiro que li. O único que comprei na Bienal do Livro deste ano. Aliás, confesso que a cada página lida sentia mais raiva por tê-lo escolhido no lugar de algum dos poucos que me faltam de autoria da Martha Medeiros.

Pouco depois, emprestado, li “A casa da Esquina”, a estréia de Duca no mundo dos livros em 1999. A motivação não era lá muito grande, mas precisava saber se a frustração seria com todas escritas do músico (pois é, prefiro continuar pensando nele apenas assim).

No entanto, devo confessar que minha surpresa foi gigante e extremamente positiva. A leitura é fácil, a escrita também despretensiosa, mas o enredo prende o leitor e me fez acreditar novamente na autoria de “Pinhal”, “A la recherche” e “Jimi”, algumas das minhas músicas preferidas da Cidadão.

De um modo pra lá de sutil, Duca conta a história de um menino que passa parte de sua infância assistindo ao definhamento do pai. E devo dizer que faz isso da maneira mais bonita possível: mostrando a visão de uma criança que sabe bem menos do que um adulto acha que sabe sobre a morte. É sensível, bucólico e capaz de nos deixar com lágrinas nos olhos. Ponto positivo para o músico/escritor.

Só é inevitável o questionamento do porquê de ter decaido TANTO no segundo livro. E reforço que é TANTO que não pode ser só opinião pessoal.

Pois é, a raiva agora fica em ter escolhido o livro errado pra comprar… Se alguém aí  quiser trocar um “A favor do vento” por um “A casa da esquina” me avise ok?

Opiniões, oras!